QUEBRANDO O HÁBITO [As pequenas doses suicidas]

 

“Memórias consomem

Como se abrissem a ferida.

Eu estou me criticando de novo;

Vocês supõem

Que estou seguro aqui em meu quarto

A menos que eu tente começar de novo”

a partir do momento que começamos a respirar passamos a fazer parte do mundo, no entanto, estar no mundo não significa fazer parte dele. Motivo? Nossa própria consciência de si. Até que ponto somos quem somos pela própria natureza? Nosso código genético, nossa composição sanguínea? Até que ponto sofremos influencia do ambiente no qual vivemos? Sofremos influencia das ideias que nos cercam? O quanto absolvemos? O quanto somos capazes de filtrar? Senso critico, se nasce tendo, ou se aprende?

Desde que me conheço por gente paro e analiso o mundo ao meu redor.  Desde que me conheço por gente, sofro. Sofri bulling quando criança? Sofri, no entanto, não posso simplesmente afirmar que o preconceito das pessoas me tornou o que sou hoje. Antes disso já conhecia meus demônios, até por isso não queria ir para escola. Antes disso já me odiava e tinha medo do que o futuro me reservava. Antes de ser quem sou já havia morrido.

Depressão. TOC. O diabo a quatro, usando a linguagem popular.

Entre quatro paredes do quarto, o diabo corroendo minha mente.

Então se soma a depressão, a dor, as consequências das circunstancias que me fez deixar alguns sonhos de lado, não aproveitar o tempo como possivelmente deveria tê-lo feito. Se envolver com pessoas nocivas, deixar o lado romântico me consumir até os ossos.  Até mesmo ferir pessoas que não mereciam, mesmo que de forma inconsciente o tenha feito, me deixa muito mal. Muitas pessoas me feriram sem dó ou piedade, tratando o garotinho esquisito como um bicho do mato que deveria ser pisado por que é a “lei da selva de concreto”. Memórias consomem como feridas abertas.

“Eu não quero ser o único

Que sempre escolhe as batalhas”

Quantas vezes ouvi Breaking the habit e chorei? Até hoje percebo que prefiro fugir das batalhas por que algo na minha mente me diz que mereço morrer aos poucos. Eu não falo disso com quase ninguém, não de forma concreta, mas está ai. É terrível ter uma voz na sua cabeça te pedindo para desistir de planos por que, segunda ela, não vai adiantar nada. É terrível ouvir uma voz te dizendo que se você se matasse seria melhor para todos, principalmente para si mesmo. É mais cruel do que se possa imaginar. Não sei quantos já sentiram como eu o medo de crescer, de arcar com o peso de caminhar com as próprias pernas, por sentir-se intelectualmente limitado, intelectualmente desprezível- até mesmo alguns teimam em apontar isso. Medo de cometer sempre os mesmos erros num circulo vicioso de tristeza e falta de amor próprio. Medo de nunca ser capaz de oferecer o melhor para si mesmo por que, no fundo, no fundo sabe que não passa de um parasita, e que os outros são deuses e eu apenas um reles mortal, na verdade uma aberração.

A auto sabotagem continua constante na maior parte do tempo, mas a vida continua aí. Prefiro nunca falar desse assunto e levar da melhor forma que posso. Prefiro conviver com meus próprios demônios por que vida não é sinônimo de perfeição.

“Eu não sei como fiquei desse jeito.

Eu sei que isso não está certo;

Então, estou quebrando o hábito.

Quebrando o hábito

Esta noite”

Esta noite quebro o hábito e digo que, talvez, exista uma pequena esperança para mim a mesmo que o caminho seja traçado nos meus próprios parâmetros.

Muitos sabem que sou depressivo, que hoje em dia lido bem com isso, mas anos atrás a vontade de cometer suicídio era constante, se machucando para esquecer a dor, se auto mutilando com porrada e detonando a cabeça na parede. Depressão é f4&@.

A dor faz parte da vida; a depressão faz parte da vida; no entanto, certas coisas não deveriam fazer parte da vida, por isso, sempre digo que devemos amar ao próximo e estar do lado das pessoas o máximo possível.

Mas, escolhi lutar com os meus demônios, sozinho.

Chester Bennington cometeu suicídio, tal como kurt Cobain, Chorão, tal como Renato Russo se entregou a doença, tal como muitos outros. Chester com suas músicas fez parte de minha vida, espero de coração que esteja bem onde estiver.

“Há algo dentro de mim

Que puxa abaixo da superfície

Consumindo, confundindo”

[Crawling]

Rastejar é meu destino?

 

 

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